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Nelore - Nelore Mocho, por Fausto Pereira Lima.
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Existe uma grande diferença de idade entre Nelore e Nelore mocho no Brasil, 130 anos para o Nelore e 40 anos para o Nelore Mocho registrado. Esses 90 anos de diferença de idade certamente traz alguma alteração no desempenho entre ambas. O Nelore chegou ao Brasil através de uma importação de um criador do Rio de Janeiro denominado Manuel Lengruber. Do Rio de Janeiro esta linhagem veio para Minas Gerais, depois São Paulo e agora se espalhando por todo o Brasil. Um dos touros de destaque desta linhagem atualmente é o touro 1646. Em 1962 houve outra importação de gado da Índia e entre os da raça Nelore vieram vários touros importantes, alguns importantes mas pouco aproveitados; outros importantes e muito aproveitados, como exemplo, o caso de Karvad. O Karvad em acasalamento “ao acaso” produziu um touro que também por acasalamento “ao acaso” veio a gerar um descendente com gerações importantes até hoje. Exemplo: Karvad > Dumu > Gim > Ludi > Enlevo > Panagpur > Bitelo SS > ... Touros Nelore vindos da Índia em 1962 e que não tiveram oportunidade de revelar suas produções em outros rebanhos: Golias, Rastan, Bima e etc... E assim para se evitar que touros importantes passem despercebidos na atualidade, é preciso a realização dos testes de progênie para colocá-los em evidência.
Nelore Mocho- Dizem que desde 1940 já se falava em Nelore Mocho, na região de Buriti Alegre, GO. O Frigorífico Anglo, pertencia a uma firma inglesa, com sede em Barretos, SP, tinha várias fazendas de criação de gado no Brasil e, uma delas na região de Buriti Alegre. Os técnicos ingleses na época gostavam de cruzar Red Polled ( raça mocha inglesa de médio porte) com as vacas brasileiras. Talvez daí tenha surgido o Nelore Mocho e a variedade mocha de outras raças. Por outro lado conta a história que a linhagem mocha se iniciou por mutação do próprio Nelore, no Brasil . Na nossa opinião a característica mocha no zebu veio de uma raça mocha européia que pode até ser o Red Polled. Não somos capazes de lembrar o nome de algum touro Nelore Mocho que tenha sido importante há 40 anos atrás e que tenha deixado nas sucessivas gerações touros famosos até os dias de hoje, como acontece com o Nelore. Na escola os professores nos ensinavam que a característica mocha era dominante mas de baixa freqüência e quando se acasalava um homozigoto mocho com vacas de chifre, todos os produtos deveriam herdar a característica mocha. Quando se acasalava a segunda geração entre si havia uma segregação que poderia ser explicada pela fórmula do Binômio de Nilton (a +b)² = 100. Resolvendo a equação, e substituindo-se as letras pelas freqüências com que aparece a característica mocha vamos verificar que dos 100 produtos nascidos um somente será mocho homozigoto e18 mochos heterozigotos que se misturam facilmente com aquele homozigoto. É aí que reside a grande dificuldade na seleção do Nelore Mocho. Ao nosso ver, quando se acasala mocho com mocho, geralmente o produto fica prejudicado quanto ao peso final ao serem comparados com o Nelore. O trabalho de seleção da variedade mocha precisa urgentemente ser repensado, pois essa importante variedade está com sério risco de ser absorvida pelo Nelore. Várias hipóteses podem ser levantadas para se tentar determinar os fatores que estão influindo para o menor desempenho do Nelore Mocho quando comparados ao Nelore: uma delas poderia ser a consangüinidade pelo pequeno contingente de gado mocho existente em seleção, certamente todos ele partindo de uma mesma origem; uma segunda hipótese seria o pouco tempo de seleção (40 anos de registro ); uma terceira hipótese, ainda não conhecida na literatura, seria a incompatibilidade gênica da característica mocha com genes de produção da raça Nelore, provocando uma epistasia ou alguma anomalia genética em detrimento ao peso. Fica aí uma sugestão para a Associação de criadores de Nelore Mocho em estimular as entidades de pesquisa a estabelecer programas de seleção específicos para o Nelore Mocho no sentido de melhorar a produtividade dessa variedade.
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